As fascinantes aventuras do anti-herói romântico Corto Maltese


A obra máxima de Hugo Pratt é uma graphic novel que mostra toda liberdade de imaginação de um marinheiro que despreza a riqueza para navegar e descobrir os lugares mais fascinantes do mundo. As aventuras de Corto se passam a partir de 1900, em muitos lugares do mundo, onde ele encontra com muitos personagens históricos como o escritor Jack London e o piloto alemão Barão Vermelho.

Em sua aventura de estreia, que o ilustrador italiano lançou em julho de 1967, o oficial da Marinha Mercante britânica, nascido em Malta e com residência em Hong Kong, filho de mãe cigana e pai inglês que se recusa a criar raízes em lugares ou em ideologias, já conhecia este outro Rasputin — seu companheiro de várias viagens na aclamada série gráfica, um homem de olhar cavado e longa barba negra mais dado a interesses e loucuras do que o marinheiro errante de brinco na orelha.

O marinheiro faz muitas viagens e em 1909, quando parte da Tunísia, ele viaja pra região da América do Sul em direção a Argentina. Aproveita e dá uma passada no Brasil. Com direito a roteiro em Itapoá, no Sul e é claro uma visita a Bahia, onde se passa a história de “Sob o signo de Capricórnio”.

Depois disso ele volta para Ásia, onde vive tramas intensas trabalhando para um personagem misterioso chamado de ‘Monge’ e torna-se pirata. Durante este trabalho, Corto começa a levantar suspeitas sobre seu chefe e uma fuga do navio faz com que suas teorias se confirmem. Esta aventura é retratada em “A balada do mar salgado”.

Há quem diga que as palavras que abrem A Balada do Mar Salgado— “Sou o Oceano Pacífico e sou o maior de todos” — estão para os quadrinhos como “Chamem-me Ismael”, a primeira linha de Moby Dick, de Herman Melville, está para a literatura. Quando Pratt lançou a série , o protagonista ia ser o mar. Mas a complexidade literária e política que brotou do marinheiro acabaria por levar a melhor — o Pacífico foi relegado para segundo plano e Corto ganhou vida longa entre nós, levando-nos aos confins do mundo e da mente humana. Já dizia Umberto Eco: “Quando quero relaxar leio ensaios de Engels. Quando quero algo mais sério, leio Corto Maltese.”

Em 2016 foi feita uma excelente adaptação animada de uma de suas HQs intitulada “O pátio secreto dos Arcanos”. Além do filme, a produtora Ellipse produziu uma série de dez episódios adaptando outros episódios do herói.

Esta vida aventurosa de Corto Maltese confunde-se com a do próprio autor, que também errou entre a Europa, a África e as Américas. As influências de Pratt são grandes autores da literatura mundial, como Joseph Conrad, Robert-Louis Stevenson, Hermann Hesse, Ernest Hemingway Jack London, Rudyard Kipling e André Malraux. As sutilezas narrativas, a personalidade das múltiplas personagens que aparecem, nomeadamente Pandora e Rasputine, o inovador aspecto gráfico, a gestão dos silêncios e os diferentes planos são os principais elementos que tornam a sua obra inconfundível.


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