Hollywood no divã em O Psicólogo


O cinema comercial americano já foi analisado sob as mais variadas perspectivas. Sua superficialidade está exposta em filmes como “O Jogador”,”Barton Fink” e “What Just Happened?” mas o efeito psicológico de sua atmosfera naqueles diretamente envolvidos ainda não tinha sido devidamente trabalhado.

A indústria que move em função do audiovisual supérfluo e efêmero ocasionalmente pressiona e desgasta especialmente aqueles que estão cansados de viver em função de bilheteria e procuram produzir algo mais original, humano e inspirador.

A projeção gira em torno do psicólogo Henry Carter, que enfrenta uma séria crise depressiva após o suicídio de sua esposa. Sua clientela é composta por celebridades e seu livro mais recente, “Felicidade agora”, é um sucesso de vendas, mas tudo o que ele sente é vontade de se desligar de tudo, usando álcool e maconha como válvulas de escape.

A montagem do cineasta Jonas Pate ilustra um painel que mostra como algumas pessoas envolvidas na produção de filmes artificiais terminam emocionalmente corroídas por esse vazio, muitas vezes sem saber.

Atores em crise existencial, um aspirante a roteirista que sente uma enorme dificuldade em desenvolver uma história, um músico narcisista acompanhado de sua negligenciada esposa e um agente obsessivo-compulsivo funcionam como metáforas de um ambiente oco e carente de sentido.

O cotidiano do protagonista é alterado quando, a pedido de seu pai, ele começa a atender uma jovem estudante que está passando por um momento difícil depois que sua mãe se matou. Embora não se sinta capacitado para ajudá-la, tenta encontrar uma maneira de amenizar o seu sofrimento, esperando talvez achar um conforto para a sua própria dor.

A narrativa projeta uma realidade onde os indivíduos sentem a necessidade de realizar algo verdadeiramente construtivo que irá saciar suas necessidades emocionais. A cidade de Los Angeles, nesse sentido atua como personagem, local onde tudo gira em função das aparências.Espelho do distanciamento e impessoalidade tão comuns no atual contexto em que estamos inseridos.

O diretor insere ainda um interessante comentário sobre a excessiva categorização dos sentimentos. A sociedade espera uma reação específica dos indivíduos diante de uma situação e estranha quando ela não acontece. Mesmo o sofrimento precisa ser “reconhecível” a todos que o presenciam.

O elenco traz as excelentes performances de Kevin Spacey, Keke Palmer, Saffron Burrows e Robin Williams, entre outros nessa história sobre não se deixar consumir pela tristeza e seguir adiante, mesmo que isso pareça quase impossível.

O espírito humano necessita de tempo para se reorganizar. Sua reestruturação precisa de coragem e força interior, inspirada muitas vezes por aqueles que nos cercam. Aceitar a própria ruína é acelerar sua autodestruição, trazendo angústia a todos que se importam com o seu bem-estar. O primeiro passo para sair do labirinto é acreditar que você pode fazê-lo.


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