O autêntico Western em Tex


O mais antigo cowboy de quadrinhos ainda em circulação, Tex Willer foi criado em 1948 por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini para o mercado italiano. No começo, as histórias eram publicadas no formato de tiras com no máximo 3 quadrinhos. Inspirado em Tom Mix (além de outras influências, como Gary Cooper), no início era um fora-da-lei. Tanto que cogitou-se dar-lhe o sobrenome de “Killer” (matador, em inglês). Felizmente, a boa índole acabou prevalecendo e Tex se tornou um respeitadíssimo (mas não menos temido) ranger do Texas e até se tornou chefe branco dos índios navajos, ao casar-se com a filha do chefe e, depois, sucedê-lo no comando da tribo. Seus principais parceiros (ou “pards”, termo criado por G.L. Bonelli) são Kit Carson, Kit Willer (o filho) e o navajo Jack Tigre. 

A origem de Tex, no entanto, só foi revelada aos leitores mais tarde. Ele era filho de um rancheiro, Ken Willer, que se recusara a vender suas terras. Em conseqüência, a propriedade foi atacada por bandidos, resultando na morte do patriarca. Tex, é claro, não deixou barato e foi atrás dos malfeitores, eliminando todos. Mas, para a Lei, ele se tornou um fugitivo e, durante suas andanças, arranjou emprego num rodeio de circo, onde ganhou seu cavalo Dinamite. Não podendo mais ficar no trabalho, aceitou a proposta de Kit Carson de se tornar um ranger, a serviço do governo dos Estados Unidos, percorrendo todo o território do Oeste em missões especiais. 

Ao contrário de outros mocinhos pasteurizados de sua época, Tex bebia, fumava, tinha mau temperamento, espancava bandidos para obter informações, não era romântico, não cantava, não tocava violão, não bebia leite, não queria ser convidado para jantar na sua casa… Mas não dispensava um belo bife de três dedos de altura debaixo de uma montanha de crocantes batatas fritas, ornamentado por dois ovos fritos e regados por uma farta caneca de cerveja. 

Apesar de o público em geral poder considerar as histórias pouco atraentes devido ao fato do seu grafismo a preto e branco, os admiradores das aventuras de Tex salientam a riqueza de informações, referências e verosimilhança histórica. 

Além de muita ação em todas histórias, com chumbo grosso voando por todos lados, o que torna a leitura interessante é o conhecimento que as histórias trazem. Você fica por dentro da cultura dos índios, da vida dos pioneiros, de episódios marcantes e reais na história dos Estados Unidos, dos hábitos da época… Detalhes mínimos foram pesquisados antes de tornarem-se texto e desenhos, para que o leitor tivesse a noção exata do ambiente em que se passavam as aventuras. Tex pretendia aliar cultura e diversão e isso pode justificar o seu sucesso em muitos países do mundo. 

Outro fator decisivo para o sucesso é o bom humor presente nas histórias. A comédia acontece principalmente quando Kit Carson, o parceiro de Tex, começa com sua onda de pessimismo e reclamações. 

O valente ranger também foi adaptado para outras mídias. Em 1956, Bonelli lançou o livro “Il massacro di Goldena” (mais tarde adaptado para as HQs como “Território Apache”). E no cinema, Giuliano Gemma foi o herói em “Tex e o Senhor do Abismo” (1985).

Duas curiosidades: em suas primeiras aparições, Tex tinha vinte e poucos anos. Hoje, ele tem 45. Os autores acharam por bem, à certa altura da série, envelhecê-lo uns 20 anos — talvez para acabar com uma incoerência: o fato de Tex estar presente em acontecimentos históricos cronologicamente distantes uns dos outros.  


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