O humor eterno e universal de O gordo e o magro

Formada por um magro, o inglês Stan Laurel, e um gordo, o americano Oliver Hardy, a dupla cômica O Gordo e o Magro foi uma das mais bem-sucedidas parcerias do entretenimento. Famosos entre os anos 20 e 30, os protagonistas somaram 106 filmes juntos, entre obras mudas, sonoras e longas-metragens.

O Gordo era impaciente e pomposo: o Magro, paciente e humilde. Ambos, incrivelmente estouvados, exasperavam as pessoas a quem estavam servindo. Eram verdadeiras crianças grandes, ingênuos, imaturos, embora não se considerassem assim, principalmente o Gordo. Oliver se achava muito esperto, como demonstravam os gestos floreados que fazia quando se preparava para desempenhar uma tarefa; entretanto, ao executá-la, positivava-se a sua estupidez.

Stan era maltratado por Oliver, mas nunca deixava de ajudá-lo quando ele pedia. E apesar da irritação contínua de Oliver com Stan, sempre que seu parceiro era ameaçado, Oliver vinha em seu auxílio. Apesar das aparências, havia uma amizade constante entre eles.

As trapalhadas nasciam sempre de um ato desmiolado praticado por um deles e, à medida que tentavam se desembaraçar do transtorno inicial, os dois iam se enredando cada vez mais na confusão. Outras vezes, as trapalhadas originavam-se de confrontações relativamente brandas que aos poucos chegavam a atos de verdadeira orgia destrutiva. No meio desta, quando o Gordo revidava uma agressão de terceiro, a câmera se voltava para o rosto do Magro, que acenava a cabeça, dando plena aquiescência com uma careta irresistivelmente cômica.

Um dos aspectos que distinguia Laurel e Hardy dos seus contemporâneos era a cortesia de seus personagens. Oliver tomava sempre a iniciativa em assuntos sociais, apresentando a si mesmo e a Stan para os estranhos com o seu costumeiro “Eu sou Mr. Hardy e este é meu amigo Mr. Laurel”, enquanto lembrava a Stan para tirar o seu chapéu. As mulheres, particularmente, recebiam as melhores gentilezas de Mr. Hardy.

Stan ajudava a desenvolver as histórias e inventou pelo menos dois maneirismos memoráveis: fazer beicinho de choro, soluçando profusamente ao primeiro sinal de encrenca e coçar os cabelos arrepiados, piscando os olhos como se estivesse compreendendo lentamente o que acabara de acontecer.

Oliver não fazia questão de dar sugestões na realização do filme, deixando tudo ao encargo do parceiro, mas criou também alguns maneirismos célebres, como, por exemplo, balançar a gravata tentando parecer amistoso ou a mania de fazer as coisas em primeiro lugar, com conseqüências desastrosas. Entretanto, o mais genial era o famoso camera-look. O Magro fazia uma tolice, o Gordo ficava irritado e fazia uma tolice ainda maior. Após a catástrofe, ele encarava fixamente a câmera, transmitindo todo o seu desespero à plateia por meio de um longo olhar de mártir.

Tais achados se incorporaram aos personagens que, apesar de seu óbvio contraste físico e psicológico, se completavam admiravelmente e eram interpretados pelos dois comediantes num perfeito entrosamento em cena. Seus filmes, conhecidos universalmente, continuam sendo vistos com agrado por sucessivas gerações de espectadores, e assim será eternamente.

Uma cinebiografia da dupla em breve estará nos cinemas. Confira o trailer legendado: Stan & Ollie- Trailer Legendado

Dr. Who e o jogo de reinventar

Dr. Who é uma série televisiva de ficção científica produzida pela BBC desde 1963. Ela acompanha as viagens de um alienígena do planeta Gallifrey através do universo e do tempo, usando a TARDIS (sigla que significa Tempo e dimensões relativas no espaço), uma nave orgânica roubada por ele em seu planeta natal que tem a aparência de uma cabine de polícia inglesa por fora, em função de um mecanismo de camuflagem bugado, mas que na verdade é gigantesca por dentro.
A premissa básica em questão abre um vastíssimo leque de histórias que trafegam pelos mais variados gêneros. Isso porque o protagonista, que sempre se apresenta como O Doutor sem revelar mais nenhuma informação relevante,  ocasionalmente morre e se regenera , sendo substituído por um outro ator com vestuários e maneirismos completamente diferentes. Esse constante caleidoscópio narrativo permite a abordagem de inúmeros assuntos, sejam eles sérios e reflexivos ou profundamente debochados. Afinal, nada mais inteligente e confiante do que rir de si mesmo.
Adotando uma política anti-bélica, ele consegue vencer os seus inimigos utilizando apenas o seu brilhante raciocínio estratégico, sempre contando com a ajuda dos seus eventuais companheiros de viagem, tendo em vista que ele odeia viajar sozinho e precisa de alguém para ajudá-lo a preservar seu espírito afetuoso e altruísta. Entre os seus apetrechos icônicos estão a chave sônica, uma ferramenta que decifra códigos e  abre qualquer porta, desde que não seja de madeira, além do papel psíquico, uma credencial que permite ao seu observador enxergar o documento que lhe for sugerido.
Cada uma das raças alienígenas que frequentemente  entram em conflito com ele espelham  um diferente espectro de personalidade: os Daleks são o ódio encarnado, os Cybermen são entidades robóticas que priorizam a lógica e o raciocínio e os Sontarans são essencialmente militaristas. Vale mencionar ainda o Mestre, um alienígena da mesma raça do Doutor que funciona como contraponto do mesmo.
Além da televisão, a série já migrou para outras mídias como quadrinhos, cinema e livros tendo colaboradores de peso como Douglas Adams e Neil Gaiman. Vale apontar também que ela tem inúmeros fãs ilustres como Matt Groening (criador dos Simpsons e Futurama), George Lucas, Stephen Hawking, Peter Jackson e muitos outros, reforçando a sua projeção e carisma com um público extremamente fiel. A grande novidade a seguir que reforça a idéia de pluralismo do seriado é a aparição da primeira versão feminina do personagem, que será interpretado pela atriz Jodie Whittaker.
Utilizando uma vasta gama de personagens e lugares, especialmente o planeta Terra em diferentes tempos históricos, além de se se permitir viajar bilhões de anos num piscar de olhos o seriado se mantém instigante, criativo e levantando discussões filosóficas, políticas e emocionais.

A verdade corporativa em Dilbert

Os profissionais de TI também têm seu personagem das famosas tirinhas de jornal. Criado por Scott Adams nos anos 1990, Dilbert vive situações que mostram com humor acontecimentos prováveis no dia a dia dos funcionários que atuam em Tecnologia.

Dilbert já foi até desenho animado, com duas temporadas exibidas no Brasil pela Fox Kids. Suas tirinhas diárias circulam em aproximadamente 1.550 jornais e revistas de todo o mundo, escancarando generalidades absurdas da vida empresarial.

Dilbert tem 30 anos, é sedentário, engenheiro de TI e trabalha em uma empresa californiana de alta tecnologia. Ele prefere os computadores às pessoas, veste roupas caretas e vive com seu cão, Dogbert. O escritório da empresa que trabalha fica na República da Elbonia, país fictício extremamente pobre, do Quarto Mundo e recém-saído do comunismo.

Scott Adams seu criador, trabalhou algum tempo na Pacific Bell, e sofreu na pele algumas das experiências que Dilbert vive nas tirinhas.

As tiras são especialmente ácidas em relação aos modismos que “varrem” as corporações de tempos em tempos. Nestes momentos as empresas se deixam levar pelo “efeito manada” e saem adotando as mais estapafúrdias metodologias e/ou processos, baseadas em sentimentos vagos do tipo “vamos fazer também porque é o que mercado quer” ou “se todo mundo esta fazendo, nós é que estamos errados”.

Da noite para o dia “as verdades corporativas” são viradas de ponta-cabeça e tudo precisa ser refeito e readaptado. Fica a sensação de que todo o esforço anterior foi uma completa inutilidade, e que “a verdade” corporativa enfim foi revelada. Naturalmente, esse sentimento só dura até a próxima onda.

A Turma da Mônica encontra o Menino Maluquinho para uma aventura

Movimento comum na cultura pop, a ideia de juntar personagens de diferentes franquias não é novidade. Em 1976, por exemplo, a DC Comics e a Marvel reuniram, pela primeira vez em HQ, dois de seus heróis mais famosos, Superman e Homem-Aranha, respectivamente. Mais recentemente, a série Sobrenatural teve um inusitado episódio especial em reunião com um clássico dos desenhos animados, Scooby-doo. É quase de se estranhar que tenha demorado tanto para surgir algo como MMMMM – Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica (Melhoramentos, 80 páginas, R$ 49), lançada neste ano durante a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Durante esses anos todos, eu estive sempre com o Ziraldo. Ele participa da minha vida e vice-versa”, comenta Maurício de Sousa, observando que, apesar da proximidade entre os dois artistas, nenhum deles havia pensado em reunir seus personagens antes. “Não me ocorria um crossover, não tinha esse papo com ele. Essa ideia é recente, alguém, que nem sei quem foi, sugeriu”, acrescenta o criador da Turma da Mônica.

Por que não fazer um crossover de personagens fortes, e de um amigo? E aí começaram os preparativos”, recorda o quadrinista, acrescentando que ele e Ziraldo concordaram com a ideia de chamar outro autor para imaginar esse encontro. “Tinha de ser um conhecedor das duas famílias de personagens.” O nome escolhido foi Manuel Filho, experiente autor de livros infanto-juvenis, com mais de 40 obras publicadas e já agraciado com um Prêmio Jabuti.

Embora os personagens das duas franquias sejam imediatamente associados aos quadrinhos, sobretudo os de Mauricio, o Menino Maluquinho surgiu como livro, em 1980, e só depois foi adaptado para as HQs e outras mídias. Tal como a publicação original de Ziraldo, MMMMM – Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica é um livro infantil ilustrado.

A história parte de uma premissa similar à de A fantástica fábrica de chocolate:após serem premiados em uma promoção que levariam os ganhadores para conhecer a Montanha Mágica que dá título ao livro, as respectivas turmas viajam até o lugar. De um lado, Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Franjinha e o cãozinho Bidu; do outro, Maluquinho, Julieta, Bocão, Junim e Lúcio. Os dois grupos logo se entrosam e embarcam em uma série de aventuras e competições inusitadas.

Com texto bastante agradável e divertido, além de bonitas ilustrações feitas pela equipe do estúdio de Mauricio de Sousa, MMMMM faz jus à expectativa de um encontro entre esses dois universos. E outras reuniões podem ocorrer no futuro. “Já que começou, é possível que volte a acontecer. Deixa baixar a poeira. Depois, vamos ver. É gostoso fazer isso”, pontua Mauricio.