A pirataria non sense, descontraída e humanista de One Piece

O quadrinho japonês em questão, escrito e ilustrado por Eiichiro Oda é um sucesso estrondoso de público e crítica, que vem rendendo uma animação homônima de igual popularidade e que muito em breve ganhará uma adaptação em série live-action pela Netflix.

Partindo de um tema que possui um apelo universal, que é o carisma em torno do universo dos piratas, o criador consegue criar um universo divertido, que por vezes beira o surreal, mas nunca deixa de realçar o humanismo de seus personagens.

A história tem início quando o Rei dos Piratas, Gol.D.Roger, minutos antes de ser executado em praça pública pelo Governo Mundial convida todos a irem atrás do tesouro que ele deixou para trás, o lendário One Piece do título, que segundo ele possui tudo que alguém pode desejar em vida. Tem início então uma era onde vários aventureiros partem em busca do mesmo, desbravando mares desconhecidos que escondem muitas surpresas e perigos.

O jovem Monkey D. Luffy cresceu fascinado por todas essas histórias que ele ouvia na taberna em seu pequeno vilarejo, contadas pelo pirata Shanks e seus companheiros. Como o pai do garoto era ausente, ele adotou este bando como uma espécie de família onde ele era bem cuidado e amado, visto como uma espécie de mascote deles enquanto não estavam velejando. O capitão acabou se tornando uma figura paterna para o garoto, que jurou se tornar o próximo Rei dos Piratas.

Após acidentalmente comer um Akuma no mi (também chamado Fruto do Diabo), a estrutura do seu organismo se altera e ele passa a ter o corpo de borracha, que ele pode inflar e esticar como quiser. Essas frutas concedem diferentes poderes àqueles que as ingerem, mas os impedem de nadar.

 

Inspirado pelo companheirismo do bando de Shanks (de quem herdou o icônico chapéu de palha) ele parte para formar a sua própria gangue e desbravar a Grand Line, região onde estão localizados os maiores desafios e bizarrices além de sua imaginação. Ao longo de sua jornada ele acaba agregando o espadachim Zoro, o cozinheiro Sanji, a navegadora Nami, o artilheiro Usopp, o médico Chopper, a arqueóloga Robin, o construtor naval Franky e o músico Brook, cada um com suas próprias motivações para integrar a trupe e que por sua vez não estão relacionadas ao sonho de Luffy.

Vale mencionar que, apesar de muito engraçada, a história tem um carinho muito especial com seus personagens, tomando cuidado para retratar suas trajetórias pessoais até integrarem o bando do protagonista, sendo alguns deles órfãos com infâncias bastante sofridas, impulsionando suas motivações para ajudar a todos os que sofrem algum tipo de opressão ou preconceito.

Ao longo das várias aventuras do grupo testemunhamos a formação de uma curiosa reunião de proscritos que estão sempre dispostos a ajudar os mais necessitados, não por um sentido nobre, heroico ou interesseiro, apenas empatia. Nesse sentido a narrativa dá um salto de qualidade incrível, projetando um carisma todo especial por esse grupo. Essa característica humanista desses piratas chega inclusive a surpreender outros fora-da-lei, que estranham esse tipo de comportamento. O protagonista que trata todos de uma maneira amigável e simples, despida de qualquer tipo de malícia ou hipocrisia, chega a impressionar e comover pelo seu espírito sincero e extrovertido.

As histórias recheadas de muito bom humor e aventura mostram que é possível tratar de temas sérios como discriminação, escravagismo e corrupção no sistema político sem perder o tom leve e descontraído que levam o público a se divertir e pensar na mesma cadência.