A trajetória de Dalai Lama em Kundun

Dalai Lama é um título cujo nome foi dado pelos filhos de Gengis Khan e significa “oceano de sabedoria”. Tal denominação honorífica é passada através de gerações àqueles que são a manifestação humana do “Buda da Compaixão”, tornando-se líderes espirituais do povo tibetano.

A seguinte película acompanha a jornada do 14ª e atual detentor desta qualificação, desde sua revelação ainda criança até o início de sua vida adulta, quando é forçado a fugir de seu país em função da invasão do governo chinês neste território.

Além do belíssimo espetáculo visual criado pela montagem do cineasta Martin Scorcese utilizando a trilha sonora de Philip Glass, o filme aponta o valor da iluminação espiritual para alcançar a harmonia com os elementos ao seu redor.

A projeção retrata com eficiência o peso da responsabilidade nos ombros do garoto, pois todos esperam que ele tome decisões que implicarão no destino de toda uma nação. Mostra também como reflexo de sua nova condição afeta o relacionamento com os familiares, que sofrem um relativo distanciamento do mesmo.

Apesar de toda a magnanimidade inscrita na essência da herança do monge, o diretor enfoca de forma inteligente o seu lado mais humano, ampliando a leitura de sua personalidade.

Interessante observar também o impacto com que ele recebe as tristes notícias, absorvendo as dores alheias muitas vezes sem capacidade para suportá-las.

Seu carinho pelo Tibete é ilustrado em todas as seqüências, especialmente a última, onde mesmo exilado na Índia continua zelando por seu país, tendo sua luneta direcionada para o mesmo.

A narrativa insere os fatos de forma fluida dentro de uma tão necessária conjuntura histórica que explicará a natureza dos eventos durante o referido período.

Outro mérito a ser comentado reside na forma como os chineses são caracterizados, mostrando sua perspectiva da invasão e evitando desta forma uma leitura maniqueísta dos acontecimentos.

Toda a prosperidade da religião budista é projetada na história através dos ensinamentos dos monges e suas atitudes diante das eventuais adversidades. O apreço pela não-violência apesar de toda a revolta interna reforça a majestade do seu caráter.

O misticismo tibetano, encarado pelo país vizinho como sinal de fraqueza, funciona de forma a conferir identidade por meio da ancestralidade e transcendentalismo inseridos nesta crença.

Um filme sobre o percurso de um homem que abraçou o destino de sua terra e continua batalhando pela sua liberdade, sempre optando pela alternativa diplomática para resolver este problema.

Sua presença carismática tem conscientizado pessoas de vários lugares do globo, divulgando seus ensinamentos sensibilizando para a situação do Tibete no atual contexto

É importante conhecer sua trajetória para compreender a importância de sua luta pela independência de um país até hoje subjugado e privado de sua autonomia por motivos arbitrários e injustos.

Gilson

About Gilson Salomão

Jornalista apaixonado por Cultura Nerd. Escritor e poeta. Nostálgico e sonhador.

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