O amor idealizado em P.S Eu te amo

Encontrar o romance ideal é algo que a maioria das pessoas passa a vida inteira procurando e poucas conseguem. Uma sintonia tão perfeita a ponto de usar poucas palavras para traduzir todo um universo de sentimentos. Uma cadência de emoções tão única que se torna a mesma para ambos, independente das circunstâncias.

Adaptado do romance homônimo de Cecelia Ahern, o filme acompanha a história de Holly, uma mulher que perdeu o marido recentemente e passa os dias trancada em seu apartamento, deprimida e assistindo a filmes antigos. No seu primeiro aniversário como viúva ele recebe a notícia de que seu marido lhe escreveu uma série de cartas que serão entregues a partir daquela data com o intuito de fazer com que ela saia do luto, relembre os bons momentos que passaram juntos e trilhe um caminho profissional que seja fiel às suas verdadeiras aspirações.

Desde a primeira seqüência fica pertinente a noção de que o casal tinha um relacionamento bastante intenso e íntimo. Ela é pragmática e insegura enquanto ele se revela imprevisível e bem-humorado, uma dança perfeita que prossegue mesmo através de seus textos póstumos, até que ela consiga seguir sozinha.

O cineasta Richard LaGravenese consegue retratar com eficiência a gradativa transformação sofrida pela protagonista que vai aprendendo a perceber o mundo ao seu redor sob uma nova perspectiva durante seu primeiro e longo ano solitária, pois tinha se casado muito cedo e tinha feito uma série de planos tendo como base a vida com seu cônjuge, que incluíam algumas concessões e adiamentos.

As cartas são um interessante recurso narrativo dentro da película, pois permitem que o espectador “visite” toda a história do romance e compreenda a natureza da atitude do falecido, que só pode imaginar a dor que sua ex-mulher está sentindo.

O tom agridoce da montagem permite que a trama seja poética e realista, sem saídas óbvias ou clichês. A não inclusão de uma seqüência mostrando os últimos momentos de Gerry é um ótimo exemplo disso, inclusive para que, assim como Holly, tenhamos sempre a mesma imagem que ele sempre irradiou em vida.

A belíssima fotografia, especialmente na Irlanda, funciona ao lado da inspirada trilha sonora como espelho das motivações dos personagens.

A divisão dos atos da película de acordo com as estações do ano é uma alternativa eficiente para contextualizar o luto da protagonista enquanto mesura a progressão de seu amadurecimento após a fatalidade que a separou daquele que tanto a amava.

A incerteza em relação ao futuro nos leva a desfrutar melhor o presente, mantendo a nostalgia de uma época tão perfeita que parecia irreal. A saudade nos define e permite uma melhor perspectiva do que se projeta à nossa frente.

As tão erráticas mudanças acontecem na medida de sua precisão, indicando o momento da ruptura para que novos rumos sejam tomados a partir dali. Nem sempre o destino nos reserva as surpresas que queremos, mas sim as que precisamos.

 

O elenco traz as brilhantes interpretações de Gerard Butler mostrando Gerry como alguém que transpira vida e irreverência mesmo após o seu falecimento enquanto Hilary Swank traz uma Holly completamente desnorteada após a morte do marido que precisa encontrar seu próprio caminho. A projeção ainda exibe as ótimas performances de Lisa Kudrow, Kathy Bates e Harry Connick Jr. , entre outros.

Um filme sobre a urgência de encerramento de uma das inúmeras fases de nossa vida para que um novo começo se descortine e revelando o sentido de nossa rica e efêmera existência.

Gilson

About Gilson Salomão

Jornalista apaixonado por Cultura Nerd. Escritor e poeta. Nostálgico e sonhador.

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