O humanismo pós apocalíptico de Sweet Tooth

Sweet Tooth é uma série de revistas em quadrinhos que ganhou uma adaptação live action pela Netflix no ano passado e foi publicada pela editora americana DC Comics através de sua linha editorial Vertigo entre 2009 e 2013, com 40 edições.

A narrativa criada e produzida pelo escritor e ilustrador Jeff Lemire, tem como cenário um futuro pós-apocalíptico dez anos após um evento conhecido como “O Flagelo” devastar o Planeta Terra. Todas as crianças nascidas após o evento são de uma nova espécie, híbrida entre humanos e animais, inclusive o protagonista, “Gus”, um garoto com traços de cervo, uma alma pura e uma queda por doces.

Ele vivia tranquilo com seu pai em uma cabana nas profundezas de uma floresta isolado do resto mundo até que foi encontrado por terríveis caçadores, pois nesse novo mundo crianças como ele valem dinheiro.

Surge então um estranho brutamontes e o protege dos malfeitores, prometendo levar Gus até a Reserva, um santuário para crianças híbridas como Gus. Esse estranho é Jepperd, um homem tão misterioso quanto violento.

Esse é o começo de uma longa jornada através do devastado território de um país assolado pela peste, e nem Gus nem Jepperd fazem a mais remota ideia de como essa viagem pode transformá-los.

Concebida pela mente criativa de Jeff Lemire, responsável pelo roteiro e pela arte da obra, é destacável desde o primeiro número a forma como a arte gráfica se mostra eloquente dentro da narrativa desta parábola pós-apocalíptica.

As palavras se tornam apenas ferramentas complementares para criar o esqueleto do enredo que tem na emoção pura o motor de arranque da trama.

Toda a dinâmica encontrada no desenvolvimento da saga é obtida pelas ilustrações altamente sugestivas e emocionais, carregadas de cores vibrantes e belíssimos traços, sem atritando opostos, seja de força, ética ou filosofia.

Baseado num mundo pós-apocalíptico, onde uma praga está desolando a humanidade e aqueles que restam tentam sobreviver, assistindo o nascimento de crianças híbridas meio humanas, meio animais, a história de “Sweet Tooth” traz influências de trabalhos assinados por nomes como Harlan Ellison e Garth Ennis.

O enredo, num primeiro momento, pode parecer minimalista, mas a diversidade de sutilezas discutidas com o desenrolar dos quadrinhos evidenciam uma densa carga de assuntos importantes entremeados à aventura do híbrido Gus e seu companheiro de viagem, Jepperd.

Desde relações humanas, passando por questões éticas em momentos de crise e valores familiares, até ecologia e o impacto dos abusos humanos sobre a natureza, tudo esta sutilmente alocado em cada uma destas páginas, ajudando a construir uma magnífica obra épica.

Na linha de frente, funcionando como uma disfarce para estas sutis discussões importantes, temos uma aventura de um garoto híbrido que viaja pela América do Norte destruída e pós-apocalíptica ao lado do brutamontes Jepperd, um caçador com o rosto marcado pelas agruras dos tempos críticos, em busca das respostas sobre sua origem  e   da praga que dizimou grande parte da humanidade.

Gus tem esta viagem como um aprendizado para o futuro pioneiro que o aguarda, já Jepperd nos mostra como um ser humano marcado pelos momentos rudes de uma civilização que desmorona pode amar de novo, até mesmo o que não compreende, tendo seu momento de redenção como um digno representante de uma raça que não seguirá adiante.

Recomendação máxima para os amantes da nona arte!

Fonte: gavetadebaguncas.com.br

 

 

 

Gilson

About Gilson Salomão

Jornalista apaixonado por Cultura Nerd. Escritor e poeta. Nostálgico e sonhador.

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