Precisamos falar sobre “A Missy Errada”

“A Missy Errada” é um filme de comédia previsível, com sucessões de acontecimentos que, em outros filmes e feito de outros modos, eu ficaria desesperada e com vontade de desligar a TV. É aquele filme bem bobo, mas que consegue tirar boas risadas e ocupar o tempo em um domingo.

Mas não é disso que vamos falar. E já aviso que pode conter spoilers!

Lauren Lapkus faz o papel de Missy, a errada, a louca, a sem noção, que faz as coisas sem pensar nas consequências. Até que ponto essa perspectiva sobre a Missy é a real ou é sobre o que o Tim, personagem principal, pensa sobre ela desde que a conheceu? Será que ela é mesmo essa pessoa desequilibrada e inconsequente que o Tim passou quase o filme todo pensando que ela fosse, ou ela era uma pessoa bacana e atenciosa, que não era como ele desejava que ela fosse?

Talvez, por ela ser uma mulher decidida, de atitude, fala o que pensa, faz o que quer e vai atrás do que deseja tenha deixado Tim assutado, afinal, Tim é um cara que vive pelo trabalho, recém solteiro, muito “certinho” com as coisas, passivo. E assim, Tim criou na mente dele uma Missy paranóica, louca, inconsequente e perigosa.

Toda essa imagem sobre ela muda quando Missy o ajuda a conquistar o cargo que ele tanto desejou, usando um dos diversos cursos que ela fez. A partir de uma apresentação que os concorrentes fizeram para o chefe, em que o Tim “agradou” mais que a da Jess “Barracuda”, Tim começa a se apaixonar pela Missy. Ela descobre que não era a Missy que ele queria que estivesse lá e vai embora, no mesmo instante que a Missy “certa” chega no hotel. Aí vem o clássico arrependimento e descobre que ele gostaria da outra Missy na vida dele, porque ela deixava a vida dele nada monótona e rotineira.

Apesar da problemática sobre colocar na mulher expectativas e responsabilidades que não são dela, de ela ser a “heroína” que o salva da rotina e da realidade, e ainda a coloca como louca quase o filme todo, é um filme divertido e achei a Missy apaixonante.